Strathcona propõe terminal de exportação de petróleo bruto em Prince Rupert abastecido por ferrovia
A empresa propõe uma rota de até 250 mil barris por dia, mas Ottawa teria de tratar da moratória a petroleiros na costa norte; a proposta ainda não foi aprovada.
- Data de publicação: 2026-10-22
- Categoria: Petróleo e gás
- Fonte original: World Oil (Bloomberg reporting)
- Tempo de leitura: 3 min de leitura
Proposta baseada em ferrovia e novo terminal portuário
Adam Waterous, presidente da Strathcona Resources, disse à Bloomberg que a empresa pretende apresentar ao governo federal uma proposta para levar petróleo bruto por ferrovia até um terminal marítimo de exportação ainda não construído em Prince Rupert, na Colúmbia Britânica. A instalação poderia movimentar até 250 mil barris por dia, com cargas destinadas a compradores no exterior.
Waterous disse que a empresa acredita que as exportações poderiam começar em menos de dois anos. Esse é um prazo indicado pela empresa, não um cronograma de obras nem uma previsão do governo. O terminal não foi aprovado, construído ou autorizado a carregar petróleo. A Strathcona ainda não apresentou uma solicitação formal; a ideia continua sendo uma proposta comercial inicial.
World Oil (Bloomberg reporting)
A moratória a petroleiros é o principal obstáculo político
A rota não exigiria um novo oleoduto entre províncias, mas dependeria do carregamento marítimo na costa norte da Colúmbia Britânica. A lei canadense Oil Tanker Moratorium Act proíbe grandes petroleiros com mais de 12.500 toneladas métricas de petróleo bruto ou persistente de carregar ou descarregar nos portos abrangidos da costa norte. A proposta, portanto, precisa de uma via legal para superar ou alterar essa restrição.
Ottawa não anunciou isenção nem mudança de política. Em julho, o governo federal e a Colúmbia Britânica reafirmaram apoio à manutenção da proibição. Um projeto separado, o oleoduto Pacific Link, prevê um terminal no sul da província. Essas decisões compõem o contexto político, mas não decidem o destino da nova proposta da Strathcona.
World Oil (Bloomberg reporting)
Diversificação das exportações e preocupações locais
A empresa apresenta o terminal como uma forma de acessar mercados asiáticos e reduzir a dependência canadense dos compradores dos Estados Unidos, que recebem cerca de 90% das exportações de petróleo do Canadá. A Strathcona já transporta por trem até 80 mil barris diários de petróleo próprio e de outros produtores para terminais na Costa do Golfo dos EUA. Essa atividade existente não prova que a rota de Prince Rupert esteja pronta.
O primeiro-ministro da Colúmbia Britânica, David Eby, grupos ambientais e comunidades indígenas costeiras se opõem à proposta. Entre as preocupações estão o tráfego de petroleiros e o risco de derramamento em águas sensíveis. Waterous disse que a empresa buscaria parcerias indígenas, mas a fonte não relata acordos, consentimento comunitário, projeto de rota, financiamento ou avaliação ambiental.
World Oil (Bloomberg reporting)
O que precisa acontecer em seguida
A Strathcona esperava procurar o governo federal a partir da semana seguinte. As próximas etapas incluiriam definir o local do terminal e a rota ferroviária, consultar First Nations e comunidades afetadas, preparar planos de segurança marítima e resposta a derramamentos e obter aprovações regulatórias. Uma mudança na moratória pode exigir decisão jurídica ou política; a fonte não informa qual caminho a empresa pretende seguir.
A capacidade anunciada é uma proposta, não capacidade de exportação disponível hoje. Até que haja solicitação formal, aprovações, financiamento, construção e acordos comerciais, a importância imediata é que uma produtora apresentou uma alternativa pela costa norte a uma rota de exportação centrada em oleodutos. Cronograma, custos e volumes finais continuam incertos.